domingo, 11 de abril de 2010

Comerciais estranhos


Jogadores de críquete e estrelas de cinema vendem de tudo por aqui. Até creme dental com a cara de algum se encontra. Naturalmente que algumas diferenças culturais importantes devem ser notadas, digamos...
É o caso dessa propaganda da Puma, "proud sponsor" do time dos Deccan Charges. É provável que seja uma afirmação de virilidade, mas não faria muito sucesso em outros lugares...

Taxi em Calcutá


Na quinta, primeiro de abril, parti para Kolkata (antigamente conhecida por Calcutá). Um vôo de duas horas. Sozinho pela primeira vez nessa "Lecture Tour", cheguei na antiga capital do domínio britânico: úmida e extraordinariamente quente. O passeio de taxi até o hotel não teve surpresas, mas é sempre curioso ver o pequeno altar que os taxistas constroem nos painéis dos carros. Em Delhi não vi tantos, mas aqui isso me chamou imediatamente a atenção. Pequenas diferenças, portanto, como o calor úmido que me fez encharcar de suor pela primeira vez em mais de quinze dias.
Estabelecido em Park Circus, em um hotel decente (mas sem internet), saí andando pela cidade, à deriva, experiência que repeti nos dias seguintes.

Último Pista Kulfi


Sim, uma sobremesa por dia... Mas tudo o que é doce dura pouco. Depois de ter enjoado dos gulab jamun de um modo talvez irrecuperável, minha última parada doce em Delhi foi comprando esse delicioso sorvete de pistache. Na foto está o mais bem reputado vendedor de kulfis da cidade. Dentro do caldeirão cheio de gelo, esses copinhos de alumínio com o sorvete. Ele vende centenas por noite e serve em um pratinho, sobre um finíssimo macarrão de arroz, coberto com uma calda transparente e borrifado de água de rosas. Saudade, já...

Janpath


Perto de Connaught Circus (a outrora elegante área comercial construída pelos britânicos e agora em completa reconstrução para os Commonwealth Games) estão várias lojinhas de lembranças para turistas. Mas não pense em coisas sem graça: ao contrário, é um bazar com artesanato de todo tipo, de todas as partes da India, especialmente a Cashemira e outros lugares que fazem fronteira com o Nepal ou o Tibete.
Me perdi nesse lugar, com milhares de peças de metal, das mais variadas. Na foto, Levin.

Bangles


A beleza das cores é intensa. Os saris são particularmente lindos: de seda, em furta cor ou em uma miríade de combinações de cores diversas, eles chamam imediatamente a atenção dos olhos. Usar um sari é uma tarefa quase impossível e há sites na internet (e videos no youtube) que tentam explicar às não iniciadas. Dá para entender, no entanto, que uma mulher queira se embrulhar em algo tão bonito.
Junto com os saris, há uma grande quantidade de artefatos para enfeitar (bijuterias?), especialmente pulseiras, ou "bangles". Eu gosto muito das feitas de vidro, que são ótimos presentes femininos: coloridas, delicadas, usadas às dúzias nos braços em combinações variadas. Ao contrário dos saris, você pode comprar centenas delas sem quebrar a banca.
Agora, cuidado: sendo de vidro, elas quebram com facilidade. Potencial metafórico extraordinário...

Pimenta


Perto de Ballimaran está um grande mercado, cujo nome não guardei. Chá, frutos secos e muitos temperos e especiarias. Em um certo momento, andando por ali, meus olhos começaram a lacrimejar e meu nariz ficou imediatamente entupido. Olhei ao redor e entendi: fardos de pimenta vermelha seca temperavam o ar.

Ballimaran


Levin, meu amigo e guia incansável em Delhi, me levou para conhecer um restaurante afegão em Ballimaran (no coração do coração da cidade, isto é, em Chadni Chowk). Um clima e tanto, com alguns homens sentados, vestidos em trajes muçulmanos, com tapetes afegãos na parede, descrevendo cenas urbanas (dizem que alguns mostram bombas e tanques também, mas não vi).
É improvável que eu consiga chegar lá de novo, pois fica no meio do labirinto de ruelas e bazares que fazem esse canto da cidade.
Junto com as pequenas lojinhas vendendo desde bijuteria barata (e não tão barata) a óculos de marcas duvidosas, dezenas de oficinas e pequeno comércio variado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Recantos


Sempre perdido em Chadni Chowk.

Chadni Chowk 2


Pessoas aos milhares, fazendo de tudo. Vendendo caldo de cana na rua, extraído mecanicamente em um aparelho rudimentar, na frente do MacDonalds (que serve muitas coisas, mas não carne bovina), pessoas vendendo de tudo e fazendo de tudo.
Tudo com um tempo próprio, definitivamente.

Chadni Chowk


Chadni Chowk, coração de Old Delhi, é a parte muçulmana, Mughal de Delhi. Bazar caótico.
Bem no fundo (quase não aparece), um dos minaretes de Jamas Masjid, a maior mesquita de Delhi, concluída em 1656.

Old Delhi


O bairro chamado de Old Delhi é um mundo completamente a parte. Um bazar imenso que é ao mesmo tempo medieval e pós-moderno. Afirmações bombásticas à parte, trata-se de um dos lugares mais fascinantes para visitar. Quando estive aqui pela primeira vez em 2008 não consegui tirar nenhuma foto. Diante de um universo de informações completamente novas lançadas na sua direção de modo caótico, é impossível decidir para onde olhar e qual imagem guardar.
A segunda vez é mais fácil. É possível filtrar um pouco do que se vê e tentar entender.

Jawaharlal Nehru University


Terça, 30 de março, compromisso sério na Jawaharlal Nehru University (a universidade batizada com o nome do primeiro chanceler indiano no pós-independência), a convite do professor Neeladri Battacharia. 27 pessoas para me ver falando sobre a relação entre a micro-história e minha pesquisa atual sobre trajetórias de ex-escravos. Apesar de ser uma época complicada de exames, a audiência não foi má e a discussão, como sempre, ótima. Depois, alguns estudantes me convidaram para um chá e uma conversa despretenciosa sobre a suas pesquisas. Mais tarde, um jantar animado com os "labour historians" indianos, todos (quase sem exceção), companheiros de pós-graduação na JNU desde o final dos anos 80. Uma geração marcada politicamente pelo legado de Indira Gandhi e que viveu intensamente a violência dos dias que seguiram o seu assassinato em outubro de 1984. Foi morta pelos seus próprios guarda-costas Sikh, revoltados com a violenta repressão aos separatistas dessa etnia e a invasão e profanação de um de seus templos mais sagrados. Nos dias seguintes, em Delhi, mais de 2000 sikhs foram assassinados nas comunidades mais pobres da cidade pelos hindus revoltados.

Na foto, em tom ameno, o pós-chá com os estudantes.

De volta a Delhi...


De volta à vida normal? Bem, nem tanto. Duas tarefas na semana: dar uma conferência na Jawaharlal Nehru University (a famosa JNU) e comprar tapetes, bugigangas e presentes.Depois, Kolkata!
Na foto, uma imagem um tanto idílica de uma das alas do parlamento indiano, na parte "moderna" da cidade.

Uso vernacular da biomassa como fonte de energia...


Na viagem, uma imagem que vi em varios lugares por aqui: pacotes de estrume de boi, deixados para secar no sol e depois cuidadosamente armazenados. No caso da foto (tirada da janela do trem), empilhados em forma de piramide e depois cobertos. Para que?
Sao utilizados como combustivel para os fogoes domesticos em muitos lugares...
Eh possivel ver isso na periferia de Delhi, mas aqui no campo eh quase uma industria. Mais adiante havia um pequeno trator carregado dessas curiosas "bolachas". Uso vernacular da biomassa como fonte alternativa de energia eh, naturalmente, um eufemismo. Como todo eufemismo, perfumado...

Going with the flow...


Eh preciso admitir que viagens de todos os tipos implicam em experiencias de todos os tipos...

De Shimla a Delhi


Esperamos ateh a segunda-feira para pegar o "toy train" que atravessa 109 tuneis e liga Shimla a Kalka.
Quer dizer, queriamos fazer isso, mas erramos os horarios e nos encontramos sozinhos na estacao em Shimla as 5 da manha, esperando um trem que nao existia. Um erro que seria grave em outras circunstancias, mas que acabou pesando pouco gracas ao pouco custo das passagens e do transporte em geral por aqui. Solucao: taxi ateh Kalka (uns 90 km serra abaixo) e um trem de Kalka para Delhi.
Tudo certo, mas um detalhe: vagao de segunda classe em um trem que levou nada menos que nove horas para percorrer pouco mais de 300 quilometros.
Felizmente, com amigos para fazer companhia e discutir o futuro da "labour history" na India...

Narkandah


De volta do Hatu Peak, passamos por Narkandah onde comi o melhor curry de cabrito da viagem ateh agora, em uma birosca na beira da estrada.
Narkandha, como muitos lugares por aqui, estah cheia de gente do Tibete, pois quando o Dalai Lama fugiu de lah em 1950, estabeleceu-se aqui perto (segundo me disseram).
De todo modo, um lugar sem grandes atrativos e sofrendo do mesmo problema de toda a regiao: a multiplicacao de resorts e hoteis emboletados nas costas das montanhas. Aparentemente, um lugar que atrai muitos turistas da propria India. Como em todo o lugar que vou, muita gente...
Narkandah fica ha cerca de 70 km de Shimla. O passeio todo demorou perto de 9 horas, talvez 10.
No caminho, dois iaques. Mas nao fotografei...

cozinha himalaia


Para nao acharem que o conforto eh o que manda por aqui, uma rapida olhada na cozinha onde o meu magic masala foi feito.
O "chai" tambem, eh claro.
Namaste...

Fim do exotismo...


De volta ao blog e ainda sem acentos...
E de volta ao Hatu Peak!
Bem, depois de horas no carro, das dificuldades, da estrada ingreme, eis que descubro que no alto da montanha, a 3400 metros de altitude, havia sinal no celular.
Sim, era possivel fazer ligacoes telefonicas nas franjas do Himalaia (para conferir, liguei para a namorada, em plena madrugada brasileira).
E, para piorar, lah em cima um grupo de simpaticos habitantes locais, prontos a fazer "hakking" nos lugares proximos a precos modicos.
Sem interesse por isso, aceitei a oferta seguinte: um prato de "Maggi". Sim, eh a marca mais famosa do "lamen" (o miojo amigo) local.
Exotismo zero?
Nem tanto: sabor "Magic Masala"!!!
PS: na foto, que entra no blog logo que der, um prato de "Maggi" (leia-se "magui")

Dificuldades Tecnicas...

Saudacoes!
Em Mumbai, antiga Bombaim, depois de uma semana com dificuldades tecnicas. Nao importa que a IBM tenha uma sede imensa em Kolkata (Calcutah) e a Adobe desenvolva softwares em Delhi: a internet por aqui eh pessima!!! Soh poderei atualizar o blog pra valer, com imagens e acentos propriamente colocados sobre as letras a partir do dia 8. Dia 10, estou voltando. Dahi, faco um blog retrospectivo...