terça-feira, 30 de março de 2010

Hatu Peak


São 3400 metros de altitude. No topo, um templo hindu, que está sendo reconstruído. Mas mesmo ali, bastante gente. Guias se dispondo a fazer passeios nas montanhas por preços módicos. Há até algumas facilidades culinárias, sobre as quais falarei adiante...
Como reclamam que eu não coloco muitas fotos, aí vai mais uma. Me contive para não colocar um retrato meu, expondo as orelhas ao sol inclemente.
Dica: se subir os Himalaias, não esqueça o protetor solar, sim? Eu esqueci.
Namaste...

Na montanha

A subida até o Hatu Peak é mais do que íngreme. A estradinha tem uns 3 metros de largura e, adivinhe só, tem mão dupla...
E tráfego!
Lá em cima a visão gloriosa que a cerração em Shimla não deixa ver nessa época do ano. Sucessivas camadas de montanhas, cada vez mais altas. Estamos nos Himalaias. Surpreendemente (mas talvez não), as íngremes colinas s ao redor são bastante ocupadas, por criadores de maçãs e, em alguns casos, por albergues e hoteizinhos.
O lugar é ainda mais seco que Delhi, mas há muitas, muitas árvores. Uma densa e homogênea floresta de coníferas.
No inverno, tudo isso fica coberto de neve e, mesmo com cerca de 15 graus lá em cima, havia alguns trechos grandes cobertos daquela neve suja que sobreviveu os meses de inverno. Há duas semanas atrás, dizem que estrada para o pico do morro estava intransitável.

Subindo os Himalaias


No sábado, 29 de março, contratamos um cara para nos levar de carro até Narkanda. A viagem, ida e volta, das 8 da manhã às 6 da tarde, não custou mais de 80 reais. Se fossemos de ônibus, seria mais barato que banana. É um turismo barato, se você consegue chegar aqui.
Uns 80 kilômetros, serra a cima.

Himachal Pradesh


Muita gente do Nepal fugiu para esta região depois da anexação pela China. O "pequeno Tibet" fica em algum lugar por aqui, mas a gente vê muita gente de lá. Ao contrário do que eu imaginava, mesmo aqui o budismo não é muito difundido e a gente vê algumas imagens do Dalai Lama em um contexto que é mais hinduísta do que qualquer coisa.
Templos hinduístas, aliás, se vê por todos os lados. Impossível saber a idade, entretanto, já que os novos insistem em se parecerem muito com os antigos. E os antigos, por outro lado, também são cheios desses motivos votivos de gosto duvidoso...
Mas pode ser má vontade minha, né?

comércio do exótico


Eu ainda não havia visto, porque em Delhi não tem mais. Em alguns lugares, há pessoas que fazem pequenos espetáculos com animais, em troca de dinheiro. Eu li que os movimentos pelos direitos dos animais tornaram algumas dessas práticas ilegais. Alguns artistas se tornaram mendigos e em outros casos, eles fantasiam as crianças de ursos e macacos para fazer os jogos e pedir dinheiro. O cobertor moral é curto, como se vê...
Na falta de um urso, uma cobrinha faz o papel direitinho. Fica ali na cestinha, enrolada. Até que um branco abobalhado mostre a indefectível curiosidade pelo exótico, imediatamente satisfeita.
Em Shimla, topei com essa senhora. Paguei dez rúpias e pedi a foto. Me pareceu uma troca justa, mas vai saber...

नमस्ते por hoje...


Depois do último post em estilo "relatório Capes", aí vai uma última foto do IIAS, antes de dormir. Imagino no inverno, com tudo coberto de neve e a vista limpa para os Himalaias ao fundo...
नमस्ते

Conferência no Centro Indiano de Estudos Avançados em 26 de março


A conferência aconteceu na sala em que Gandhi, Nehru e Mohammed Jinna se encontraram várias vezes em 1947 e decidiram os termos da "partição" que deu origem aos estados da India e do Paquistão do pós-independência.
Minha conversa não teve nenhum impacto geo-político digno de nota, devo acrescentar...

Pakhoras in the morning


Nada de sucrilhos e mamãozinho. Os indianos gostam mesmo é de comer algo frito, gorduroso e bem temperado.
Pakhoras (acho que o nome é esse) são empanados em uma massa feita com farinha de grão de bico. Temperos não faltam, especialmente sementes de coentro, sementes de tomilho e cuminho...
Pão empanado para o café da manhã, portanto!

Indian Institute for Advanced Studies


O centro de estudos avançados ocupa o espaço do antigo Vice-Regal Lodge. Inaugurado em 1888, o prédio fica em um lugar chamado "Observatory Hill", o que dá uma boa ideia da vista privilegiada que tem. Dezenas de turistas passam por aqui, mas não podem passar do outrora suntuoso "lobby" entalhado em "teca" (Tectona grandis).
Apesar da suntuosidade, o prédio precisa urgentemente de ajuda. Aparentemente, há uma política local de desprezo pelos prédios que lembram o domínio inglês. Um pouco estúpido nesse caso...
De todo modo, eu imagino quantos gostariam de botar a mão nesse prédio e transformá-lo em um hotel de luxo! Pelo menos seria uma boa forma de escapar do kitch horroroso que domina as construções pós-coloniais por aqui...
Enfim, o mais importante: a biblioteca, com 150 mil volumes, é uma surpresa agradável. Parece que eles aceitam "fellows" de outros países. Posso?

Rododendros


Impressionantes essas árvores com lindas flores vermelhas. Elas pintam as colinas cheias de cedros do Líbano, plantados pelos ingleses no século XIX.
Esta cidade é uma "descoberta" dos ingleses. Fugir do calor de Delhi no verão e vir para as montanhas, cheias de lugares batizados com nomes que lembram as Highlands escocesas. É preciso ao menos elogiar o senso estético colonial. Charmoso, para dizer o mínimo...
Quanto aos rododendros, as tais flores vermelhas, descobri que fazem um xarope com elas. Você mistura na água e... pronto: suco de rododendros. Olho preocupado para a garrafinha que me fizeram comprar em um mercado de Shimla. É verdade que o vinho de ameixa não era ruim, mas e o xarope de rododendros?

Macacos


Não faltam macacos por aqui. Em Delhi já não se vê muitos, mas em Shimla estão por todos os lados. Algumas pessoas andam com bengalas ou pedaços de pau, só para espantar os bichos. Aparentemente, as mulheres são as vítimas preferenciais.
Bem cedo de manhã, eles começam a descer das árvores e se jogar com estrondo nos telhados cobertos de telhas metálicas da casa de hóspedes do Instituto Indiano de Estudos Avançados. Naturalmente, acordar tarde não é uma opção...
Na foto, um jovem audacioso tentando mostrar quem manda no lugar...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Shimla 2

Aqui tudo está literalmente pendurado nas montanhas. Com sorte, dá para umas 50 mil pessoas morarem no lugar. A população de 1 milhão e meio dá uma boa ideia, portanto, dos desafios de engenharia (para dizer o mínimo) que a população local foi capaz de empreender. Às vezes dá medo...
De todo modo, a impressão geral da cidade é muito agradável. A "herança" colonial inglesa não está muito bem cuidada, mas a gente a vê por todo o lado.
Nos hospedamos na casa de hóspedes do Instituto Indiano de Estudos Avançados, onde eram as antigas cavalarias. Simpático, confortável, ainda que um pouco empoeirado.
A incapacidade de atualizar o blog nos últimos dias deve-se à internet do lugar: nada "avançada".
Ah, sim: o lugar é bem mais frio que Delhi. Temperatura realmente temperada!

Shimla


O nome sugere algo de etéreo, não? Shimla... capital do Himachal Pradesh, nas franjas do Himalaia.
Era a capital de verão dos vice-reis ingleses desde o final do século XIX. Rudyard Kipling passou parte da infância por aqui. A casa dele ainda está por lá, ocupada pela delegacia de trânsito...
O lugar é muito diferente de Delhi, não há dúvida. Sem "rickshaws" é melhor andar do que qualquer outra coisa. Em boa parte da cidade, aliás, carro não entra.

Rodoviária

A partida para Shimla aconteceu na quinta, 25 de março, às 10 da noite. Após muita confusão, decidimos que o melhor era pegar um transporte direto e confiável. Encontrei Prabhu e Levin na plataforma 7 da principal rodoviária da cidade.
Uma rodoviária que, aliás, não é muito diferente de uma dessas que se encontra em uma grande cidade brasileira, como o Rio ou São Paulo. Os ônibus são mais detonados, mas para quem já chegou no Tietê às 6 da manhã, não é tão absurdamente caótico como poderia ser.
A viagem para Shimla é montanha acima, cerca de 8 horas para cobrir pouco menos de 400 quilômetros.
Ar-condicionado, paradas periódicas.
Sem emoções, por enquanto!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Conferência na University of Delhi, 22 de março


Na segunda-feira, 22 de março, fiz a primeira "lecture" dessa jornada. Na verdade foi mais uma conversa com alguns alunos da pós-graduação e um punhado deprofessores do departamento de história. Não apresentei nenhuma das duas conferências que preparei, mas falei sobre Carlo Ginzburg, que era o que eles estavam com vontade de ouvir. Comigo, Prabhu e Basudev Chatterji na mesa. Os alunos, como sempre, cheios de atenção e sharp questions.
Na foto, comigo, alguns estudantes e Prabhu, wandering.

Cidade de imigrantes


Delhi é maior do que São Paulo. Simples assim.
E, como São Paulo, foi e é uma cidade que atrai muitos imigrantes, de todos os lados.
A primeira grande leva de imigração veio do Punjab, na época da criação do Paquistão (antigo West Punjab). A partir daí, milhões de imigrantes sem terras foram atraídos pela cidade e os seus arredores, onde tornaram-se a quase totalidade da força de trabalho destituída (the labouring poor) por aqui. Mas desde essa primeira onda nos anos 50 muitas outras se sucederam, sobretudo de trabalhadores vindos de distantes aldeias nas áreas rurais. Isso explica parte da enorme diversidade de gentes e de temporalidades que se encontra pelas ruas da cidade, que vai desde o modo pelo qual os trabalhadores carregam as coisas, as formas de vestir, até o modo como usam as vielas e lugares mais recônditos para aliviarem suas necessidades. Hábitos de camponeses que se justificam pela completa ausência de banheiros públicos.
Os serviços domésticos, em especial, são lugar exclusivo dos imigrantes e antes de mais nada das mulheres. As empregadas domésticas são algo comum por aqui, mesmo nas residências mais modestas. Alguns serviços domésticos acontecem na rua, como esta moça que encontrei passando roupa com um grande ferro à brasa, não muito distante de onde estou, em Maharani Bagh.

नमस्ते e शुक्रिया


नमस्ते !!!

Hotéis com estrutura aceitável em Delhi são caros, mesmo para os padrões internacionais. Assim, hospedagens alternativas estão se multiplicando, sobretudo com a expectativa dos jogos do Commonwealth.De todo modo, depois de Noida fiquei hospedado na casa dos amigos Prabhu e Suvritta, que tem um casal de filhos com 13 e 9 anos. Gente adorável que mais uma vez confirmou a grande sensação de familiaridade que tenho com os indianos no trato doméstico e pessoal. Depois de dois dias por lá, fui para o outro lado da cidade, para uma casa muito confortável no sul de Delhi, no quarto que a dona da casa aluga para estrangeiros. Minha hospedeira, uma médica e "attractive mature woman in her late fifties" não para muito em casa e a senhora que acaba cuidando de tudo não é muito familiarizada com o inglês. "Toast with butter" e chá com leite (chai) são meus companheiros...

शुक्रिया

ps: comecei este post com um "oi" e terminei com um "obrigado".
ps 2: para ilustrar esse post, um cair de tarde perto de Nizzamudin.

Tumba de Humayun


Delhi tem uns lugares lindos. O fim de tarde no parque onde está a tumba do segundo imperador Mughal dá a impressão de que se está em outro lugar. Quase não se nota a cidade caótica e poluída. O senso de prooporção, de orientação espacial, de assentamento, é impressionante. A arquitetura desses extraordinários conquistadores persas é absolutamente perfeita, assim como o fantástico sistema de circulação de água, que garantia que mesmo os terríveis dias de calor (como foi este dia) fossem mais amenos...

O Gato...


A India é campeã do "gato". Talvez os brasileiros é que tenham inventado essa forma curiosa e perigosa de "subtração" de energia da rede pública, mas foram os indianos que a transformaram em uma forma de arte. Confira a foto e me diga se estou errado...

Old Delhi


"Old Delhi" não é, como parece, o bairro mais antigo de Delhi. Mas a Delhi dos Mughals é bem ali: o Forte Vermelho, Yama Masjid (a maior mesquita da India), os bazares de jóias e bijuterias, os mercados de carne (com suas perturbadoras cabeças decepadas de bodes e outras iguarias).
Meu passeio hoje começou na modesta sinagoga de Delhi (correspondente à minúscula população de judeus na cidade) e terminou no Karim, o popular restaurante há uma centena de metros da grande mesquita. Kebabs e nenhuma cerveja (porque, claro, muçulmanos não bebem).
Como há dois anos atrás, da última vez que passei por aqui, estava com o meu amigo Levin. Mais dois colegas de Chicago, "labor historians", Leon e Susan.
Levin deve terminar o doutorado em algum momento dos próximos dois anos. Enquanto isso, tem a gentileza de servir de guia para professores atrapalhados de outros continentes.